quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Florianópolis proíbe produção e comercialização de foie gras

Em agosto de 2015, pelo menos 50 pessoas protestaram em frente a um restaurante de Florianópolis, que organizava um festival com a iguaria
Foto: Charles Guerra / Agencia RBS
O prefeito Cesar Souza Jr sancionou no dia 12 de dezembro a lei complementar 593/2016 que proíbe a produção e a comercialização de foie gras. O projeto de lei complementar é de autoria da vereadora recentemente eleita Maria da Graça Dutra (PMDB), que fez a proposição quando exercia a suplência no legislativo há um ano. Em Santa Catarina, outra cidade que veta o consumo do fígado inchado de gansos, patos e marrecos é Blumenau, enquanto São Paulo e Sorocaba são os exemplos no restante do país. 

A matéria legislativa deixa claro que "fica proibida a produção e a comercialização de Foie Gras, in natura ou enlatado, nos estabelecimentos comerciais situados no âmbito do município de Florianópolis". Sobre as infrações cabíveis, a emenda garante que o descumprimento implicará ao infrator as sanções previstas pelo órgão fiscalizador responsável, a Vigilância Sanitária. A vereadora Maria da Graça reforça a importância do projeto. 

— O nosso processo civilizatório é muito lento e difícil, mas é imparável. Tenho a convicção de que o século 21 será de liberação dos animais. Nós vamos começar a olhá-los como seres, como vidas. Minha presença na Câmara é para garantir que Florianópolis acompanhe esse processo de civilização.

A carne utilizada no foie gras é o fígado de pato ou ganso, que em situação de superalimentação do animal, se torna mais amanteigada e saborosa para quem aprecia o corte. Mas o método de engorda, que costuma ser aplicado, é fortemente criticado por ativistas em defesa dos animais e pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).

— A pessoa não pode fazer qualquer coisa para saciar o consumo. Claro que por não ser algo ilegal, não podemos impedir as pessoas de tomar suas decisões. Nosso trabalho agora é conscientizar, mas defendemos a proibição do consumo e da produção por entender que o método de produção não é ético — argumenta Marly Winckler, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e vice-presidente da União Vegetariana Internacional. 

No Brasil existem três empresas que produzem foie gras: Villa Germania, em Indaial, Santa Catarina; Chez Pierre, em Cabreúva (SP) e Agrivert, em Valinhos (SP). Marcondes Moser, diretor de operações da empresa catarinense, não se preocupa com os protestos. Há 16 anos, a empresa observou que o país já importava o produto, e por já trabalhar com patos Pequim em grande escala, decidiu também investir na produção do foie gras.

O método criticado pelos defensores dos animais e que sustenta as leis que tramitam em municípios brasileiros se refere à alimentação forçada a que patos e gansos são submetidos, na maioria dos casos, para terem seus fígados engordados. Após serem alimentados durante cerca de três meses à base de milho e farelo de soja, os animais recebem um composto de milho cozido (amido). Esse composto é inserido à força através da boca e garganta do animal e acelera o acúmulo de gordura em seu organismo. Após a engorda, o animal é abatido, e o fígado, com cerca de 500g e coloração amarelada, é separado e comercializado.

O processo é antigo e remete a ano 2.500 a. C. no Egito, quando a iguaria era apreciada pelo faraós. Nessa época, os egípcios perceberam que as aves tinham o fígado mais macio e saboroso quando estavam gordas e preparadas para as migrações. Ao longo dos séculos, o foie gras foi disseminado pela Europa e se tornou tradicional na culinária francesa. Porém o método de engorda, por vezes considerado cruel, já foi proibido em diversos países como Argentina, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Noruega, Israel.


Com informações DC

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